FIT em Campinas

Postado por Thaiza segunda-feira, 27 de julho de 2009

Com um currículo de criança crescida em cidade grande o bastante pra se passar tardes inteiras dentro de casa, tendo como parceira de quase todas as horas a televisão - que proporcionou uma longa e intensa formação em desenhos animados, na modalidade de crítica ao conteúdo e estética (ainda que na época eu não tinha ciência disso, e quiçá entendia bulhufas dessas palavras) - é bem mais fácil e confortável distribuir pitacos sobre o Anima Mundi, do que sobre o Festival Internacional de Teatro. Mas, como a proposta é diversificar as opiniões acerca dos eventos campineiros que nós participamos, repito o tema já tratado pelo Tico.

Na real não sei bem o que dizer a respeito das peças que vi, e pra não cair no vazio de 'gostei', 'não gostei' ou 'interessante', elegi "A Margem", da Companhia do Gesto (RJ) e dirigida por Luís Igreja, pra falar um pouco mais. (Diga-se de passagem, a que 'mais gostei' (-;)

Quando li na sinopse que era em clown, logo imaginei cores saltitando do palco. Ao contrário, em um ambiente soturno, dois bufões, interpretados por Ademir de Souza e Tania Gollnick, lançam para as luzes aquilo que se busca esconder/ocultar/ignorar: a margem. Logo no início chocam por seus corpos encardidos em trapos e gestos e ruídos repetitivos, uma coceira intensa (literalmente) que incomoda e desconcerta.

Outra coisa que impressiona, é a variedade e tamanhos de universos que são invocados e criados com gestos e elementos simples, nos quais as palavras faladas são totalmente dispensáveis. Basta expressões, corporalidade, tons, imagens, gestos e melodias pra despertar todo um mundo simbólico. Desde Shakespeare ao avião terrorista que bate em torre, desde o desespero a tranquilidade fraterna. Aí percebemos o quão partilhamos de sentidos e significados comuns.

Galões que viram máscaras, pés que viram atores globais, trapo que vira boi-bumbá, pano que vira mesa de rico, mãos que se viram na parede, luz que vira cinema, ruídos que viram música... pessoas que viram e se reviram, entre monstros, estátuas, divindades, parceiros, galãs de cinema, esfomeados, sombras... unem o riso ao trágico.

E aqui encerro por falta de currículo teatral, e por isso aconselho: Tire os filhotes da televisão e leve ao teatro! (Mas não nessa peça que é recomendada pra maior de 16 anos!)

(A foto veio daqui)

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