[exposição] Abertura da exposição Escapa

Postado por Carla terça-feira, 8 de maio de 2012

Dia 10, quinta, das 19h às 22h acontece a abertura da exposição Escapa de Gustavo Torrezan na galeria Vertente (Rua Dr. César Bierrembach, 170, Centro -próximo à praça Carlos Gomes e Prefeitura Municiapal).
A exposição fica na galeria durante Maio e Junho.



Sobre a exposição:
ESCAPA é a primeira individual do artista Gustavo Torrezan e é composta por trabalhos recentes e inéditos.

Grande parte da exposição nos apresenta treze imagens de uma outra exposição, que por sua vez apresenta obras de arte modernas (mais especificamente, pinturas, gravuras e esculturas). É possível inclusive – ao menos aos mais atentos e/ou admiradores da arte brasileira – reconhecer algumas das obras ali expostas, como um Portinari ou a célebre escultura "O impossível", de Maria Martins. Além das obras, vemos alguns visitantes, em sua maioria senhores de terno e algumas mulheres de vestido: um rigor formal que hoje em dia só se vê em aberturas (também conhecidas como vernissages). É talvez a fotografia em que há um homem contemplando uma escultura e vestindo o que parece ser um uniforme de policial, é que não nos resta dúvidas de que se trata de um registro de outra época. Mesmo que seja cada vez mais comum depararmo-nos com vídeos, instalações e performances em exposições, o tradicional espaço moderno com aparência de “salão de arte” – diferentes esculturas sob pedestais e quadros pendurados na parede branca – ainda não nos deixa de ser contemporâneo.

Há alguns anos da sua trajetória artística abordando a ideia de exposição e os dispositivos de apresentação de uma obra de arte, Gustavo Torrezan encontrou tais imagens no arquivo Wanda Svevo, da Bienal de São Paulo, um dos poucos arquivos no Brasil no qual podemos encontrar registros que nos relatem um pouco sobre a história das exposições. Selecionou registros da I Bienal Internacional de São Paulo, quando a mostra, ainda sem sede específica, ocorreu fora do emblemático Pavilhão Ciccilo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, hoje principalmente conhecido como “Pavilhão da Bienal”1.

Estamos, então, diante de um registro histórico. Mas é com dificuldade que conseguimos ver as imagens. O que pode parecer um engano, um erro de acabamento por parte do artista, é parte de uma estratégia: o vidro que integra a moldura das fotografias, e que originalmente iria protegê-las ao longo da sua exposição, torna-se obstáculo: ao invés de somente dar visibilidade à imagem pela sua transparência, acaba também por refletir seu em torno, o que inclui seu espectador.

A palavra refletir tem duplo sentido: o de espelhar e o de pensar. Com o espelhamento do ambiente externo (a exposição atual da Galeria Vertente) sob as imagens apresentadas (a exposição da I Bienal de São Paulo), temos uma sobreposição de tempos. Nos vemos de repente dentro daquela mostra de arte de outrora, que por sua vez projeta-se para fora, se atualiza. A convergência de passado e presente nos obriga então ao exercício do pensamento: o que fazemos aqui? O fazíamos lá?. O vidro, portanto, é um entre: dispositivo de viagem pelo tempo-espaço.

Torrezan também apresenta uma série de três trabalhos feitos com vidros temperados quebrados e emoldurados, acompanhados de diferentes frases retiradas de um livro do filósofo Friedrich Nietzsche serigrafadas sob placas de alumínio. Mais uma vez o que teria que ser “invisível” na apresentação de uma obra de arte – o vidro – aqui é evidenciado e ativado. O simples gesto de quebrar um vidro temperado resulta em desenhos impactantes, criados pela soma do controle e do acaso, uma situação que tenciona o limite. Não no sentido de esgotamento ou proibição, pelo contrário, do que pode ser ultrapassado ou experimentado, ainda que aparentemente perigoso, inseguro e/ou desconhecido, por aquele que se dispõe a possuir um “espírito livre”, como nos descrevem as frases. É quase como dessa vez o próprio artista desejasse romper com qualquer tradição ou tempo passado, para poder experimentá-los livremente ou de forma diferente da esperada.

Por fim, o trabalho que dá titulo à individual – ESCAPA – reforça o interesse do artista em usar o texto cada vez mais como matéria na sua prática artística. O trabalho configura-se simplesmente num cartaz lambe-lambe branco e de grandes dimensões, onde se lê uma palavra em caixa alta. O artista opta por um rebaixamento formal, diferentemente do uso publicitário do lambe-lambe nos espaços urbanos. Aqui o branco do papel garante espaço para a força de única palavra: ESCAPA. Aparentemente estável, porém móvel, fugaz, que nos leva à distração. Escapa deste texto.

Luiza Proença

1 Mais especificamente a I Bienal Internacional de São Paulo aconteceu no Pavilhão do Trianon, onde hoje se encontra o MASP, na Av. Paulista, em São Paulo, entre 20 de outubro e 23 de dezembro de 1951.

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