Salve Geral, não salva...

Postado por CineCPS terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pra descansar a cachola fui hoje ver o brasileiro indicado ao Oscar que anunciamos no blog na semana passada. Havia indicado minhas reservas quanto ao trabalho do diretor (Sergio Rezende) e confesso que infelizmente, a sequência continua em Salve Geral. A história põe tem como pano de fundo os ataques do PCC à capital paulista durante os quais a cidade "parou". O pano de "frente" é a história de Andrea Beltrão e seu filho. Como praxe, não gosto de estragar o filme para os que vão portanto não digo mais sobre o que acontece. Mas digo o seguinte: a intenção de Rezende era demonstrar a consolidação do PCC, e o "horror" que causou aos cidadãos de São Paulo e o desespero da polícia militar civil, que não conseguiu controlar a facção. Acabou por focar demais na relação mãe/filho, o que não comoveu. O filme deveria rodar veloz, perigoso, nervoso diante de uma cidade em estado de sítio. Ao invés disso, temos que conviver com os problemas de relacionamento e dilemas afetivos.


Algumas coisas andaram bem. Explicar a origem do PCC e suas ideologias e conflitos foi bacana. As cenas iniciais de presídio chocam, mas longe do que fez Carandirú. Mas faltou. Muito. Algumas cenas são transparentemente rodadas em estúdio. Uma absoluta enormidade de clichês cinematográficos tomam conta do roteiro. Não resisto, vai lá um: 1) perseguição de automóveis 2) caminhão cruzando pista 3) primeiro carro (mocinhos?) passa pela traseira do caminhão que dá ré 4) carro da polícia em perseguição não passa, e: 5) bandidos fogem. Ok, mais uma: diálogo entre pessoa "reformada" que viu "de perto" a miséria dos presídios e a "burguesa" que acha que os bandidos são ladrões mesmo e merecem morrer. A lista é interminável, e um olho mais aguçado coleciona os clichês ao longo do filme.

Fica então uma lista do que poderia ser: poderia ter explicado com o PCC se tornou o que é; poderia ter apontado como o PCC conseguiu controlar tanta gente, assim, aparentemente do nada; poderia explicar o que aconteceu depois das rebeliões.

O Brasil fica mais um ano sem o Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas temos Copa, Olimpíada - é pedir demais.

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