Roda de Leituras no Sesc: Roberto Goto

Postado por Thaiza sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Quando se trata da literatura – ou seja, da arte da palavra e da produção cultural que lhe corresponde –, aprende-se a ler, mas não se ensina a ler. Em si mesma, a obra literária nada ensina; na verdade, sequer existe. Uma obra literária só existe concretamente numa relação de leitura, e não é possível aprender a estabelecer tal relação senão a praticando. Não é raro confessarmos que “não conseguimos ler” um determinado livro – por exemplo, o Ulisses de Joyce. É porque a leitura não é algo que se aprende de uma vez por todas, mas uma relação que tem de ser criada e renovada a cada obra com que nos deparamos. 

Trata-se de um diálogo, semelhante ao diálogo entre duas ou mais pessoas, para o qual não há receita e os aprendizados anteriores só contam parcialmente. Pode-se, talvez, criar ou despertar o tal “hábito de leitura”, mas isso leva ao risco de induzir a leituras estereotipadas; por analogia, seria como se alguém conversasse sempre de uma mesma forma com toda e qualquer pessoa – neste caso, a conversa acaba sendo bastante pobre, reduzida a fórmulas habituais, triviais."

(Roberto Goto em entrevista ao Jornal da Unicamp, na ocasião de lançamento do livro O Escritor e o Cidadão)

É ele o convidado do mês para intermediar a Roda de Leituras no Sesc. Todas às quartas de maio (5, 12, 19 e 26), das 19h30 às 21h30. 

Um breve currículo:
Nascido em Campinas em 1954, Roberto Goto é licenciado em Filosofia pela PUC Campinas, mestre em Letras e doutor em Educação pela Unicamp. Trabalhou como repórter no jornal Correio Popular e como professor secundário. Atualmente é professor no Departamento de Filosofia e História da Educação da Faculdade de Educação, Unicamp. Foram publicados, de sua autoria, os livros de ficção Joana sem Terra e O H da História, e os livros de não-ficção Malandragem Revisitada, A Letra ou a Vida, Para ler Fernando Henrique Cardoso, Começos de Filosofia, Problemas (des)educacionais brasileiros, O escritor e o cidadão, Sob o signo de Brás Cubas, Dialéticas.
   
E no meio, a oficina: Intertextualidade: paródia, ironia, ambiguidade (22/sab- das 14h às 17h)

A oficina propõe aos participantes a produção de textos que trabalhem com a intertextualidade a partir de recursos como a paródia, a ambiguidade e a ironia, utilizando-as como elementos intrínsecos à prosa literária. Inscrições na Central de Atendimento. 20 vagas.

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